Introdução
O cateter venoso central é um acesso vital para pacientes em hemodiálise, especialmente em situações de urgência ou quando outros acessos não estão disponíveis. Para que esse cateter permaneça funcional, a troca de curativo no local de saída (exit site) deve ser feita com técnica segura e eficaz. Uma troca mal realizada pode permitir a entrada de microrganismos e causar infecções graves, inclusive bacteremia relacionada ao cateter.
Para o enfermeiro que atua em nefrologia, dominar essa técnica é um diferencial profissional. É necessário estar atento a detalhes como assepsia, manuseio correto e uso de materiais adequados. Com boas práticas de curativo, é possível aumentar a durabilidade do cateter, prevenir complicações e oferecer maior segurança ao paciente.
Protocolos e princípios básicos
- Higienização das mãos e barreiras assépticas: Antes de qualquer manipulação, o enfermeiro deve realizar higienização rigorosa das mãos com água e sabão ou álcool em gel. Usa-se luvas estéreis para a troca do curativo e demais barreiras estéreis (touca, máscara, avental, campo estéril), quando recomendado em protocolos de cateteres centrais. As diretrizes do CDC reforçam que, na manutenção de cateteres, devem ser mantidas técnicas assépticas durante a troca dos curativos (Oliveira & Carvalho, 2021);
- Seleção do tipo de curativo: Curativos de gaze ou transparentes (semipermeáveis) são utilizados dependendo da situação. O local de saída deve permanecer coberto enquanto o cateter estiver inserido. A European Renal Best Practice recomenda que curativos sejam substituídos se estiverem sujos ou soltos; a troca rotineira de curativos transparentes pode ocorrer até semanalmente, se não houver comprometimento (Oliveira & Carvalho, 2021);
- Escolha e uso de antisséptico: A pele ao redor do local de saída deve ser previamente preparada com antisséptico adequado. Uma prática comum é usar clorexidina alcoólica (> 0,5 %) por sua eficácia comprovada na redução de colonização do cateter. Os curativos impregnados com clorexidina demonstraram reduzir colonização e infecções relacionadas ao cateter em metanálises (Pereira & Gomes, 2022);
- Frequência da troca de curativo: Uma questão debatida é com que frequência trocar o curativo se ele permanece limpo e intacto. Ensaios clínicos comparando intervalos mais longos (5 a 15 dias) versus mais curtos (2 a 5 dias) em cateteres centrais não mostraram diferença clara no risco de infecção com evidência de qualidade baixa.
No entanto, se o curativo estiver visivelmente sujo, úmido ou solto, deve ser trocado imediatamente, independentemente do tempo decorrido (Pereira & Gomes, 2022). - Técnica passo a passo (sugestão prática)
- Preparar todos os materiais estéreis em bancada limpa.
- Higienizar as mãos e vestir luvas estéreis e demais barreiras.
- Remover o curativo antigo cuidadosamente, observando sinais de secreção, umidade ou presença de pus.
- Avaliar visualmente o local de saída da pele (vermelhidão, inchaço, secreção).
- Aplicar o antisséptico com movimento de fricção e aguardar o tempo de secagem conforme fabricante.
- Posicionar o curativo novo estéril (gaze estéril ou filme semipermeável) e fixar bem, sem tensionar.
- Registrar data, hora e observações no prontuário.
- Monitorar o paciente após a troca: observar queixas de dor, mudança local ou sinais de infecção (CDC, 2022).
- Manutenção de boas práticas complementares
- Monitorar constantemente o local de saída durante o uso do cateter.
- Educar o paciente para que não manipule o curativo e reporte alterações.
- Realizar auditorias ou checklists para garantir que todos os procedimentos estão sendo cumpridos com segurança.
- Aderir a intervenções de prevenção de infecções no ambiente de diálise, como higiene de mãos, vigilância ativa e educação da equipe (Ferreira et al., 2022).
Benefícios para a prática clínica
Quando o enfermeiro domina a técnica de troca de curativo e segue protocolos seguros, os ganhos são imediatos e duradouros:
- Redução de infecções relacionadas ao cateter, que são causas comprovadas de internações, aumento de mortalidade e prolongamento do tratamento.
- Maior durabilidade do cateter, diminuindo a necessidade de trocas frequentes, o que representa menos riscos para o paciente e menos procedimentos invasivos.
- Mais confiança do paciente na equipe, pois ele percebe o cuidado especializado e seguro.
- Valorização profissional, já que executar bem um procedimento tão crítico demonstra competência e responsabilidade.
- Trabalho mais eficiente e seguro, com uso adequado de materiais, menos retrabalho e menos complicações clínicas.
Dica prática: mantenha um checklist fixo na sala de hemodiálise com os passos do curativo seguro. Antes de cada troca, siga esse roteiro para garantir que nenhum detalhe seja esquecido (Carvalho et al., 2022).
Conclusão
A troca de curativo do cateter de hemodiálise é um momento de alto risco se não for realizada com técnica segura e atenção máxima. O enfermeiro, com seu olhar atento e compromisso com a segurança, é peça-chave para evitar complicações graves, prolongar a vida do acesso e garantir um tratamento mais seguro para o paciente renal.
Investir em educação continuada na área de nefrologia é fundamental: cursos, treinamentos e atualização constante preparam o profissional para atuar com excelência e confiança. Se você quer se destacar e oferecer o melhor cuidado no ambiente de diálise, conheça a pós-graduação em Nefrologia da NefroPós. É a oportunidade ideal para fortalecer sua prática, aprofundar seus conhecimentos e transformar sua carreira.
Cuide com segurança, com técnica e com empatia — o paciente renal merece o melhor!
Referências
Carvalho, J. A., Silva, L. D., & Torres, P. F. (2022). Protocolos de enfermagem para prevenção de infecções em cateteres de diálise. Revista Cuidarte.
CDC. Summary of Recommendations for Intravascular Catheter Care. (2022).
Ferreira, A. N., Silva, G. P., & Torres, C. M. (2022). Importância do protocolo de enfermagem no cuidado de cateteres em diálise. Jornal de Enfermagem e Saúde.
Oliveira, R. S., & Carvalho, F. P. (2021). O trabalho em equipe no cuidado ao paciente em hemodiálise. Jornal de Práticas Integradas em Saúde, 5(2), 88–96.
Pereira, R. L., & Gomes, H. N. (2022). Suporte emocional ao paciente renal: a escuta ativa como instrumento de cuidado. Revista de Humanização em Saúde, 5(2), 33–42.