Introdução
O cateter é um dos acessos mais utilizados na terapia renal substitutiva, especialmente em situações de urgência, início da hemodiálise ou quando o paciente ainda não possui uma fístula arteriovenosa madura. Apesar de ser um recurso essencial para salvar vidas, o cateter também está associado a diversas complicações, sendo a disfunção uma das mais frequentes e preocupantes.
A disfunção do cateter pode comprometer a eficácia da diálise, aumentar o risco de infecções, causar desconforto ao paciente e prolongar o tempo de tratamento. Nesse cenário, a atuação do enfermeiro é fundamental, pois ele está diretamente envolvido no manejo, monitoramento e prevenção dessas intercorrências. Com conhecimento técnico e olhar atento, é possível identificar precocemente os sinais de disfunção e agir de forma segura e eficaz.
O que é a disfunção do cateter e por que ela acontece
A disfunção do cateter ocorre quando há dificuldade ou impossibilidade de obter um fluxo sanguíneo adequado para a realização da hemodiálise. Na prática, isso significa que o sangue não entra ou não retorna corretamente pela via do cateter, comprometendo a eficiência do tratamento.
Entre as causas mais comuns estão a formação de coágulos dentro do cateter, mau posicionamento da ponta, dobras ou compressões do dispositivo, presença de fibrina, trombos ou até problemas mecânicos relacionados à fixação e ao manuseio inadequado. Além disso, infecções locais ou sistêmicas também podem levar à perda funcional do acesso.
Estudos recentes apontam que a disfunção do cateter é uma das principais causas de interrupção da hemodiálise, sendo responsável por aumento de custos, maior tempo de internação e maior risco de complicações graves, como sepse e perda do acesso vascular (Moureau et al., 2021).
Sinais e sintomas que indicam disfunção do cateter
Reconhecer precocemente os sinais de disfunção é essencial para evitar agravamentos. Entre os sinais mais comuns estão a dificuldade de aspirar ou infundir sangue, alarmes frequentes da máquina durante a diálise, redução do fluxo sanguíneo prescrito e necessidade constante de reposicionamento do paciente para manter o funcionamento do cateter.
Outros sinais importantes incluem dor no local do cateter, edema, vermelhidão, secreção, febre e calafrios, que podem indicar infecção associada. O enfermeiro deve estar atento também às queixas do paciente, como desconforto, sensação de pressão ou queimação durante a sessão (ANVISA, 2022).
A observação cuidadosa, aliada ao registro correto das intercorrências, permite intervenções mais rápidas e seguras.
Condutas de enfermagem frente à disfunção do cateter
A atuação da enfermagem começa antes mesmo da punção, com a avaliação do curativo, da fixação e das condições gerais do acesso. Durante a sessão de hemodiálise, é fundamental manter técnica asséptica rigorosa, realizar flush conforme protocolo institucional e monitorar continuamente o fluxo sanguíneo.
Quando ocorre disfunção, medidas simples podem resolver o problema, como reposicionar o paciente, ajustar o decúbito, verificar possíveis dobras no sistema ou realizar manobras suaves conforme protocolos institucionais. Caso a dificuldade persista, o enfermeiro deve comunicar a equipe médica e registrar adequadamente o ocorrido.
A educação do paciente também faz parte do cuidado. Orientações sobre não manipular o cateter, manter o curativo limpo e seco, evitar tracionar o dispositivo e reconhecer sinais de alerta são fundamentais para prevenir complicações (Lok et al., 2020).
A importância da prevenção e da educação continuada
Grande parte das disfunções de cateter pode ser evitada com boas práticas de enfermagem. A padronização de rotinas, o uso de protocolos baseados em evidências e a capacitação contínua da equipe reduzem significativamente os riscos.
A educação continuada permite que o enfermeiro esteja atualizado sobre novas tecnologias, tipos de cateteres, técnicas de manutenção e recomendações das principais diretrizes nacionais e internacionais. Isso fortalece a segurança do paciente e valoriza o papel do profissional dentro da equipe multiprofissional (KDIGO, 2019).
Além disso, profissionais especializados em Nefrologia desenvolvem um olhar mais crítico e seguro diante das intercorrências, atuando de forma preventiva e resolutiva.
Benefícios para a Prática Clínica
O domínio sobre a disfunção do cateter traz inúmeros benefícios para o cotidiano do enfermeiro, como maior segurança na condução da terapia dialítica, redução de complicações infecciosas, melhor aproveitamento do acesso vascular e maior conforto para o paciente.
A prática baseada em conhecimento técnico-científico fortalece a tomada de decisão, melhora a comunicação com a equipe e contribui para a qualidade do cuidado prestado. Além disso, promove maior autonomia profissional e reconhecimento do papel da enfermagem na nefrologia (SBN, 2022).
Conclusão
A disfunção do cateter é um desafio frequente na rotina da hemodiálise, mas pode ser prevenida e manejada com conhecimento, atenção e prática qualificada. O enfermeiro tem papel central nesse processo, desde a prevenção até a identificação precoce e a condução adequada das intercorrências.
Investir em educação continuada é essencial para oferecer um cuidado seguro, humanizado e baseado em evidências. A especialização em Nefrologia amplia horizontes, fortalece a prática profissional e contribui diretamente para melhores desfechos clínicos.
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Referências
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Medidas de prevenção de infecção relacionada à assistência à saúde, 2022.
KDIGO Clinical Practice Guidelines for Vascular Access. Kidney International Supplements, 2019.
Lok CE, et al. Vascular access in hemodialysis: current concepts and future directions. Clinical Journal of the American Society of Nephrology, 2020.
Moureau N, et al. Catheter-related complications: prevention and management. Journal of Vascular Access, 2021.
Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN). Diretrizes para Acesso Vascular em Hemodiálise. 2022.